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TAG – LEITOR / ESCRITOR
ENTREVISTADO = Igor Cabrardo
Igor Cabrardo é estudante de Letras na UEMG e vive em Ibirité, Minas Gerais. Apaixonado desde criança por filmes de terror, esoterismo e “causos” de assombração, se dedica a escrever terror, usando como inspiração para sua escrita esses elementos e as peculiaridades da cidade onde vive.
LEITOR
Qual o livro que marcou sua vida? Por quê?
 “Veronika decide morrer” do Paulo Coelho. Não que seja um livro sensacionaaaaal ou o meu favorito mas, na época em que eu li pela primeira vez (já li 3 vezes), eu estava necessitado de um acorda para várias coisas e vários padrões de comportamento que eu tinha, Pensamentos sobre mim mesmo e etc. A temática do livro, o decorrer, os questionamentos da personagem tudo me ajudou a começar a enxergar a mim mesmo com uma nova lente e também a me abrir para novas leituras eu só consumia terror e fantasia rs. E internacional!!).
Qual seu estilo literário preferido?
 Terror/Horror e Thriller psicológico. Sem sombra de dúvidas.
Cite um livro que todo mundo ama e você odeia.
 Sem querer ofender a ninguém, mas eu preciso dizer que é a Bíblia. Não tenho uma relação muito amistosa com o cristianismo e a bíblia é meio que um símbolo de toda essa mágoa e das marcas internas que eu ainda carrego. Não nos damos muito bem. rs
Cite um lugar que você quis ou quer conhecer por causa de um livro.
 Oslo, na Noruega. É uma meta de vida viajar pra lá um dia.
Melhor escritor de todos os tempos
 Eu. Mentira (risos). Stephen King é meu favorito. A construção de trama e personagem, a temática, tudo. Eu sou vedete assumido do King.
Cite um livro que te deu muito medo.
Horror em Amytiville. Eu lia a noite e era horrível.
Cite um livro que te fez chorar.
 Harry Potter e as relíquias da morte. A morte do Dobby fio muito triste pra mim. Eu li dentro do ônibus e me debulhei em lágrimas.
Um livro que você leu para ou com os seus filhos.
 Não tenho filhos, mas sempre que tenho contato com sobrinhos ou filhos de amigas eu leio contos de fadas.
Um autor que te surpreendeu
 Aluísio Azevedo. Eu tinha um bloqueio tão grande por ter sido obrigado a ler O cortiço na sexta série que me deparar com o MA-RA-VILHOSO “Demônios” dele foi de cair o koo da bunda.
Um autor que você é fã de carteirinha
 Jo Nesbo
ESCRITOR
Como foi o processo para você se tornar escritor?
 Longo. Eu escrevo desde bem novinho. No pré infância minha professora usou uma redação minha pra passar para casa pra turma. Mas eu nunca enxerguei como profissão. Era um Hobbie. Eu fazia pro meu divertimento mesmo. Eu comecei a encarar a escrita de forma séria cerca de um ano e alguns meses atrás quando eu percebi a mim mesmo escrevendo de forma séria. Eu não estava só reproduzindo ideias que eu achava bacana mas de forma diferente, eu tinha algo a dizer e queria dizer. Quando eu disse, pessoas ouviram e houve um diálogo, uma troca, mesmo que as vezes essas trocas fossem muito sutis e discretas. Foi ali que eu me percebi escritor.
Qual o estilo de escrita que você se identifica mais?
 Terror/Horror. Paula Hawkins disse uma coisa certa vez com a qual eu me identifiquei demais. Ela disse algo como “eu sentia necessidade de dar destinos sombrios as minhas personagens”. Essa coisa de dar um rosto aos demônios, manifestá-los em algo compreensível me fascina demais.
Qual sua maior decepção como escritor?
 Não sei se eu tive decepção como escritor. Acho que a falta de credibilidade que eu percebo não só em relação a mim, mas em relação a autores iniciante E nacionais. Eu percebo muito essa coisa da dúvida sobre o seu trabalho (eu mesmo já tive muito disso, consumindo só produto americano, tanto em literatura quanto em cinema). Essa parte me chateia um pouco, mas não encaro como frustração. Eu vim do teatro e muitas vezes é um meio muito ingrato em relação ao retorno também, então meio que eu vim preparado pra isso rs.
O que te traz mais prazer na escrita?
 O diálogo entre autor e leitor, essa troca. Você começa escrevendo algo pessoal, uma visão sua sobre algo ou um desabafo mesmo, um “exorcismo” (acontece as vezes) e, quando você percebe, está recebendo um retorno do que você escreveu que não necessariamente casa com o que você quis dizer, mas se encaixa perfeitamente no que você criou. É outra vivência falando, se expressando conforme suas necessidades. Essa troca é muito gostosa e acrescenta muito na tarefa de enxergar o outro.
Você tem um ritual na hora de escrever?
 Não. Já tentei criar alguns, mas eu escrevo em situações bem diversas, ambientes bem diversos. Acho que o que eu posso considerar como ritual que eu faço é anotar a ideia assim que ela vir, pra evitar perder; Escrever ouvindo uma trilha instrumental ou barulho de chuva e focar em um trabalho de cada vez, quando eu me sento pra escrever eu gosto de estar inteiro naquilo.
Qual dos seus trabalhos te deu mais prazer?
 “Veneno”. Foi meu primeiro conto escrito livre de direcionamentos de editais, eu pude me expressar com bastante liberdade criativa e foi um dos “exorcismos” de que eu falei. Não tenho vergonha de assumir que a ideia veio de um término de namoro muito doloroso pelo qual eu passei transformar aquilo em história, ver a minha dor ganhando forma através de um monstro foi muito… sei lá… era como se eu realmente estivesse digerindo e refletindo sobre aquilo, tirando ela de dentro de mim. Ver o trabalho concluído e publicado foi muito gratificante.
Você já foi reconhecido na rua, ou em um evento?
 Ainda não rs. Eu tenho um alcance pequeno ainda. Ainda me considero “anônimo” haha, mas eu já recebi mensagens e marcações de pessoas me dando um retorno sobre um conto e foi tão empolgante como se tivessem 300 paparazzi atrás de mim rss.
Você gosta de personagens padrões (o protagonista perfeitinho, a protagonista linda e delicada, o antagonista feio e mal) ou prefere se arriscar com o novo?
 Odeio. Eu não me sinto representado por aquilo. Eu gosto do que eu chamo de “personagens quebrados”, aquele personagem que tem defeitos e falhas assim como tem qualidades também, que erram em suas escolhas, que sofrem com seus vícios e ciclos; é algo muito mais “identificável” pra mim. Eu me encontrei DE VERDADE como leitor (e consequentemente como escritor também) nesses personagens. Eu conseguia me ver neles. Antes eu não me via em nada, estava sempre lendo sobre alguém sensato 24 horas por dia 7 dias por semana, que não tinha inseguranças, não era escravizado por nenhuma dor interna… não era algo no qual eu pudesse enxergar em mim ou nos meus. Era uma raça alienígena superior presente só na TV e isso causava uma necessidade de pertencimento que doía bastante, até porque meu contato com a leitura sempre teve esse vínculo com o colo, o consolo da fantasia, o aprendizado. Enfim, não gosto rs.
Você prefere publicar por editora ou a liberdade de ser um autor independente?
 Olha, eu comecei a publicar de forma independente agora então ainda tenho alguns problemas, um trabalho maior do que o que eu tenho com editoras. Eu gosto da revisão, do cuidado com os apontamentos sobre o texto, das sugestões… me proporciona ferramentas de melhora, eu me sinto mais seguro quando eu publico com editoras. Não que eu não goste da publicação independente ou que a publicação com editoras seja só louros e vitórias. Tem as experiências negativas também, os contatos ruins, uma limitação criativa pelas propostas dos editais… Ambas tem seus pós e contras.
Quais seus próximos projetos?
 Meu próximo projeto… bom, tem dois em fase de lançamento e um em andamento. Os dois primeiros são parcerias com a Editora Diário Macabro; “Dossiê Táxi”, uma coletânea de contos de terror envolvendo táxis  e “Lovecraft Reimaginado”, que reúne releituras da obra de Lovecraft. Tá um trabalho bem bonito e já podem ser adquiridos na pré-venda pela página da editora no Instagram.  O terceiro projeto se chama “Efeito Ouija” e é independente. É algo mais longo que um conto, embora eu não sei se chegue a ser um romance, mas é maior e mais ambicioso do que o que eu escrevi até agora. É uma historia sobre apego ao passado e a insistência em acreditar numa mudança utópica das coisas. Eu estou bem empolgado com a ideia e ansioso também.
E ai? Gostaram vocês podem ver a entrevista original que ficou gravada no IGTV Assista aqui

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