Entrevista Chris Sevla

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DG – Bom dia, Chris! Você pode se apresentar para nós? Dizer um pouco da Chris Sevla pessoa, profissional.
Bom dia! Nossa, sou péssima de apresentação, o que já configura uma péssima apresentação em si hahahaha.
Sou uma neurocientista que virou escritora, que estudou e arriscou tantas expressões, que enfim, virou artista mesmo. Vivo no Brasil, passeio por aí e sei como é a vida de quem ia à biblioteca fazer pesquisa (meu sistema segue igual). Meu signo é escorpião e todo o mundo silencia quando sabe disso. Eu também, mas porque não ligo (eu sou legal à beça!). No frio eu durmo de meias, mas gosto mesmo é de ficar descalça, e só fecho a roupa na hora de sair. Sou fã do minimalismo e acho que a vida é mais simples do que nos fizeram acreditar. Deve ser por isso que Deus me faz escrever histórias para quem está cansado, abatido, buscando um propósito de vida; histórias cheias de amor, fé e esperança… 
1.    DG –   Você escreve mais romances, chick-lit e até um pouco de auto-ajuda, o que te levou a esse caminho na escrita?
Honestamente eu não classifico minha escrita como chicklit. Às vezes acho que o que eu escrevo ainda nem tem nome no mercado, rs. Quem gosta desses termos é o mundo editorial. Infelizmente esse termo acabou ficando mal visto, como se fosse um gênero menor, o que tem tudo a ver com a história da mulher dentro da Literatura e do mundo em si. Mas as pessoas classificam Jane Austen neste local, então… Eu escrevo sobre mulheres que buscam um sentido pra vida, com uma dose de espiritualidade e muitas outras doses de humor. Fruto desse contexto que citei, eu não sonhava escrever isso. Na minha cabeça o drama pesado é que fazia um bom livro. Foi um amigo que me perguntou por que eu não podia escrever com humor e isso abriu toda essa verve em mim. Depois fui caminhando em mim mesma e a espiritualidade também se abriu e brotou. Mesmo no meu livro de “autoajuda” o humor está presente. Então acho que o caminho para essa escrita foi autêntico, como poderia e teria de ser, refletindo quem eu sou, minha missão. A gente não foge de quem é, seja lá o gênero que escolha – ou aceite – escrever, seja lá o que faça na vida. Então se você que me lê agora estiver nesta busca enlouquecida – sim, porque ela é – por sua voz, saiba que você vai encontrá-la, mas somente se ousar ser quem você foi chamado a ser.
2.   DG –     Como foi sua caminhada até assinar o contrato com a editora Skull?
Longa, rsrs. Muito tempo batendo em portas, falando com pessoas, levando muito “não”, pensando em desistir, mudando de ideia, desencanando, continuando a escrever… Ainda estou na caminhada, ela não termina. Mas é por isso que eu insisto no propósito, na missão. Porque raramente a gente sabe da caminhada de alguém e, quando sabe, é de forma resumida. E na construção de qualquer coisa o que vai te sustentar, com mais ou menos choro, é essa inquietação, essa chama interna que te consome até que ela possa vir à tona e iluminar o exato lugar que você nasceu para estar.
3.   DG –    De onde veio sua inspiração pra escrever Como Não me Apaixonar por você? A protagonista existe na vida real?
No final da minha adolescência eu soube de uma atleta americana. Conheci a história dela por alto, mas achei que dava um bom livro. Nessa época eu anotei algumas coisas, mas não escrevi nada, porque nem pensava em ser escritora. Foi só no ano passado que isso me voltou à mente. Então comecei meu processo de escrita, buscando cuidar da história da Hannah, minha personagem, não da pessoa que um dia eu havia escutado falar. Então o humor, a espiritualidade, a nerdice e tudo o que Como Não Me Apaixonar Por Você contem, pertencem à Hannah e aos demais personagens; é uma história nova, um livro próprio, ainda que inspirada por algo que ouvi falar. De modo geral as histórias começam assim, por algo que nos chamou a atenção, seja uma frase, um causo etc. O mais incrível foi que durante toda a escrita eu não consegui me lembrar do nome da atleta real, e olha que eu pesquisei de tudo quanto foi jeito. No dia em que eu dei o salve para a versão final do meu livro, o nome veio. Gosto de pensar que foi um aval dela, uma benção para a minha história.
4.DG –       Você é católica, isso está em tudo o que você faz. Está na escrita também? Sua religião te influência quando você escreve?
Influencia do ponto de vista do que você disse, de que está em tudo o que eu faço. Essa religião me deu uma vivência profunda em Deus, uma experiência de verdade com Jesus Cristo; então tudo isso transpira nas minhas ações. Mas quando eu escrevo, seja um livro ou um roteiro, eu não estou tentando converter ninguém; eu estou apenas contando uma história e cada história tem um objetivo em si. A história de Hannah é a de alguém que, diante de uma situação fatal, supera desafio atrás de desafio numa tentativa de fazer as pazes consigo mesma, com a vida, com o amor e sim, com o próprio Deus que ela um dia conheceu. Se isso te tocar, te levar a querer ser alguém melhor, ficarei imensamente feliz. Diante das mazelas que vemos dia sim e outro também, é nessa vontade e disposição para ser melhor que eu acredito; para mim é o amor que salva o mudo. Mas independentemente de qualquer coisa, a história tem que ser boa. E eu acho que a minha é, rsrs.
5.   DG –    Quais seus gêneros de literatura preferidos, como leitora?
De novo, eu vou pela história, muito mais do que pelo gênero, então talvez não saiba responder isso de forma adequada. Vou desde um infantil até um autoajuda, passando pelos romances, biografias e livros técnicos. E ainda existem os livros que são xodós. Talvez os autores ajudem.
6.  DG –     E seus escritores preferidos?
Jane Austen, Isabel Allende, Stephen King, Louisa May Alcott, Khalil Gibran, Yasmina Khadra, Agatha Christie, V. C. Andrews, Robin Cook, Lou Carrigan, Marçal Aquino, Santiago Nazarian, Debora Gimenes… e segue.
7.   DG –    Você já leu algum livro que foi incrível o tempo inteiro e no final te decepcionou?
Sim. Teve também os que são supostamente obrigatórios e fica até chato dizer que não leu e que foram incrivelmente ruins o tempo inteiro, rsrs. Faz parte…
8.   DG –    Você prefere ser uma escritora ou uma roterista? O que te chama mais atenção a literatura ou adaptações e originais para cinema ou teatro?
Eu prefiro ser tudo, inclusive o que você ainda nem citou. Tudo me chama a atenção; estão aí os letterings que eu faço e que não me deixam mentir. Cada plataforma, cada meio ou mídia tem sua função e funcionalidade e, na minha verdade, elas se complementam. Todas as histórias podem servir tanto à Literatura, quanto ao Cinema e ao Teatro, inclusive Musical. Eu gosto de estar em todos eles.

DG –     Quando você decidiu entrar para o mundo das artes? Foi difícil?
Mulher, acho que sou artista desde pequena. Tenho umas memórias interessantes para contar… Oficialmente, digamos assim, minha decisão mais consciente foi em 2009, quando uma série de acontecimentos me levou para a Literatura e me fez estrear na Antologia Território V (Terracota). Dali em diante não pude mais escapar…
DG –   Para finalizar, qual o livro que você mais gostou de escrever e por quê?
Eu gosto de todos os livros que escrevi, principalmente #AMOR, que deu um trabalhão fazer todo a mão; mas acho que o preferido é sempre o último, então Como Não Me Apaixonar Por Você. Porque é uma história linda, inspiradora e que me fez chorar horrores enquanto ainda escrevia!

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